Estudo da Elsevier destaca liderança brasileira em igualdade de gênero na ciência.

Segundo a pesquisa, o Brasil tem proporção similar entre homens e mulheres que publicam artigos científicos

Em um estudo publicado pela Elsevier no dia 8 de março, que comparou a participação das mulheres na ciência em onze países e mais a União Europeia, o Brasil é destacado por notáveis avanços em termos de igualdade de gênero nas últimas duas décadas.

O estudo aponta a liderança das mulheres brasileiras na publicação de artigos científicos, responsáveis pela produção de 49% dos artigos no País. Portugal também atingiu a mesma marca. A diferença é que, entre 2011 e 2015, as mulheres brasileiras aparecem como autoras de mais 150 mil artigos científicos, enquanto que as portuguesas aparecem como autoras em cerca de 27 mil papers – cinco vezes menos.

A porcentagem de mulheres que publicaram artigos científicos cresceu 11 pontos desde 1996 no Brasil. Para se ter uma ideia, enquanto no Brasil e em Portugal, praticamente metade dessas publicações são assinadas por mulheres, nos Estados Unidos, Reino Unido e na França a parcela é 40%. Já no México e no Chile, elas correspondem a 38% dos autores.

Outro destaque é que o Brasil figura entre os países com maior proporção de mulheres inventoras (19%) entre 2011 e 2015, atrás apenas de Portugal (26%). O Japão teve a menor participação, com apenas 8%.

O estudo “Gender in the Global Research Landscape” (Gênero no Panorama Global de Pesquisa) faz uma análise da performance científica de homens e mulheres ao longo de 20 anos, entre 1996 e 2015, e compara 11 países – Estados Unidos, Reino Unido, França, Dinamarca, Portugal, Japão, Canadá, Austrália, México, Chile, Brasil – e a União Europeia. A pesquisa considerou indicadores como autoria de artigos, proporção de homens e mulheres entre pesquisadores, impacto das publicações, proporção de homens e mulheres entre inventores e suas patentes, liderança, colaboração, interdisciplinaridade e mobilidade.

A partir dessas análises, o estudo lança luz sobre os fatores que influenciam as disparidades de gêneros nas disciplinas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês). Eles notaram, por exemplo, desigualdades persistentes em contratações, autorias, reconhecimento e promoção.

O desempenho positivo do Brasil foi destacado pela revista Forbes, em uma reportagem intitulada “Novo estudo surpreendente: Brasil agora é liderança em igualdade de gênero na ciência”, publicado por ocasião do Dia Internacional da Mulher, mesmo dia em que a pesquisa foi divulgada.

O estudo completo da Elsevier pode ser acessado neste link.

Daniela Klebis – Jornal da Ciência

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